Operação apura supostas fraudes milionárias em instituto de apoio a cegos em Uberaba
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Instituto de Cegos do Brasil Central, em Uberaba
Google Street View/Reprodução
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação 'Fora de Foco' para investigar suspeitas de fraudes e possíveis desvios de recursos públicos milionários no Instituto de Cegos do Brasil Central (ICBC), em Uberaba.
Fundado em 1942, o ICBC é uma das instituições assistenciais mais tradicionais de Uberaba e do Triângulo Mineiro, atuando no atendimento de pessoas cegas ou com baixa visão. Segundo o órgão, a investigação apura supostas irregularidades envolvendo repasses municipais e estaduais realizados nos últimos dois anos, que somam mais de R$ 2 milhões.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados e também na sede da entidade assistencial. A ação contou com apoio da Polícia Militar.
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O g1 e a TV Integração procuraram o atual diretor do instituto, Felício de Jesus Dias da Costa, para comentar as investigações, mas até a última atualização da reportagem não houve retorno.
Afastamento temporário da diretoria
A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou ainda o afastamento temporário de dirigentes e gestores vinculados à administração do instituto. Também foram impostas restrições de acesso a documentos, sistemas internos e movimentação de recursos financeiros da instituição.
De acordo com o MPMG, as medidas foram autorizadas após a apresentação de elementos que apontariam risco de continuidade das supostas irregularidades e possibilidade de destruição de provas.
A investigação teve início após denúncia recebida pelo órgão em maio deste ano. Conforme o Ministério Público, depoimentos de testemunhas que trabalhavam na própria instituição ajudaram a reforçar as suspeitas levantadas durante a apuração.
Entre os possíveis crimes investigados estão estelionato contra entidade de assistência social, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa.
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Ainda segundo a Promotoria de Justiça de Uberaba, há indícios de que recursos destinados à execução de projetos assistenciais, educacionais e de saúde tenham sido desviados para finalidades que ainda são investigadas.
Entre as linhas de investigação também estão suspeitas de irregularidades em prestações de contas, uso de documento falso e cadastramento irregular de beneficiários em programas financiados com dinheiro público.
Operação Fora de Foco
O nome 'Fora de Foco' faz referência à necessidade de trazer à apuração fatos que, para o MPMG, permaneceram encobertos na gestão da entidade investigada, permitindo esclarecer a correta destinação dos recursos públicos aplicados no atendimento de pessoas com deficiência visual.
Os mandados judiciais e medidas cautelares contra a atual diretoria foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Uberaba. As investigações seguem em andamento.
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